Terça Traquina – Pãe


Melhor é serem dois do que um (…) [pois] o cordão de três dobras não se quebra tão depressa.” Eclesiastes 4.9a e 12b

 

Quem não já ouviu a expressão “pãe” para designar mães e/ou pais que exercem as funções paterna e materna solitariamente? Além desse quadro não ser difícil de encontrar, ocorre pelos mais diversos motivos: separação, falta de interesse de uma das partes, morte etc.

Uma mãe que cuida dos filhos só, naturalmente, tem atribuições duplicadas, ou seja, atuar como mãe e como pai. Sendo assim, ao mesmo tempo em que deseja encher as crianças de mimos e afeto, sabe que precisa impor limites. Ao mesmo tempo em que quer permitir, flexibilizar; entende que precisa impor leis e regras a serem seguidas, pois sabe que sua cria não terá outra figura a quem recorrer para dizer “pergunte a seu pai, se ele deixar…”.

Assim como a mãe solteira, também há os pais que possuem essa dupla jornada na lida com os filhos. Tornam-se dois para dar conta das demandas diárias: afetivas, educativas, econômicas, sociais. Precisam administrar o cuidado com o filho, com a casa e com o trabalho fora dela, afinal, também precisam prover os alimentos e pagar as contas.

Tanto para o homem quanto para a mulher que se desdobra para atender, por dois, todas as necessidades e desejos dos filhos, a vida tem um peso maior. As decisões, por exemplo, precisam ser tomadas, e muitas vezes, não tem com quem compartilhar as dúvidas e responsabilidades.

O “peso” da educação recai apenas sobre um ombro, ao invés de dois; e o mais interessante (e belo!) é que muitas mães e pais solteiros fazem esse trabalho com maestria. Conseguem, dentro dos seus limites, educar um ser para a vida. E à medida que a criança vai crescendo, reconhece nesse(a) cuidadoso(a) provedor(a), a figura de afeto e autoridade, tão importante para a sua constituição.

Só nos resta parabenizar quem aceita esse desafio e o faz com todo amor e desprendimento, a ponto de perder os medos e amar mais do que imaginava ser capaz.

Carla Q. Matias